Bem, há coisas em Portugal que realmente mexem com o sistema nervoso das pessoas. Tudo bem que algumas têm apenas certas lacunas, onde apontar defeitos minúsculos se torna até ridículo, mas também existem outras, e não são poucas, que até irrita mesmo. Parece que tem certos comportamentos de propósito para irritar as pessoas. Um desses exemplos é a campanha (por mim muito aclamada, já que correctamente planeada teria um enorme sucesso, sendo de grande importância para o sadio crescimento económico de Portugal) do “Vá para fora cá dentro” como é possível ao estado não detectar certas falhas que, além de baterem com força nos olhinhos das pessoas responsáveis, nem eram assim tão complicadas de serem resolvidas.
Um dos exemplos mais gritantes é o do Algarve. Tudo bem ser considerado turismo de luxo, tudo bem que tem praias limpas e com uma água que tem uma temperatura muito agradável, tudo bem que tem o Zé Camarinha, tudo bem ter duas épocas, a alta e a baixa para o campismo e hotéis, mas para supermercados, drogarias, mercearias. No Algarve durante a época alta balnear, os meses de Junho, Julho, Agosto e metade de Setembro todas as superfícies comerciais exercem preços muito mais altos do que durante o restante ano. E não raras são as lojas, nas terras menos “famosas” a estrangeiros, que praticam preços considerados normais para os habitantes da aldeia e preços de época alta para os restantes “Tugas”.
Um outro exemplo, é o caso do turismo mais para o rural. Há cerca de dois anos atrás, eu e um conjunto de amigos decidimos ir celebrar a passagem de ano para o “Talasnal”, na serra da Lousa. Aquilo é de uma beleza extrema mesma, é o contacto quase directo com a natureza. É o silêncio da noite, a água a correr no ribeiro, montanha abaixo, onde claramente a ouves e julgas ser já ali, tendo de andar quase 5 minutos para a ir ver, tal é o silêncio que reina na montanha, bem lá no alto. Sim, mas isto é bem lá no alto, porque para chegar lá ao alto, a “viagem” foi bem complicada. Para começar porque de todos os que fomos e éramos para aí vinte, só levamos um carro, comercial, para carregar as coisas mais pesadas. Sim, porque ficava mais barato ir de transportes do que entre todos dividirmos as despesas relacionadas com a chegada bem ao alto. E foi aqui que todos os problemas começaram. Saímos do comboio que nos ligou de Coimbra à Lousã e fomos directamente a junta de freguesia da referida aldeia ou vila, de forma a nos informarem de como poderíamos nós arranjar transportes para o cimo. Primeiro de tudo levamos com aqueles funcionários públicos característicos, antipáticos qb e nada prestáveis. Demoraram uma hora e maia até nos virem dizer que não sabiam como iríamos lá para cima. Para tentarmos quer os táxis, quer os bombeiros. Uma hora e meia depois, ainda continuávamos bem dispostos, porque sabíamos que nos iríamos passar uma bela semana lá no cimo. A caminho dos bombeiros, apareceu-nos um taxista que parou o seu bólide ao nosso lado dizendo que nos levaria lá em cima se nós quisemos. Continuamos ainda hoje sem saber como ele lá apareceu. Todos satisfeitos que tínhamos nosso grande dilema resolvido, todos contentes começamos a decidir, sem demora quem ia em que viagem, já que teriam de ser ai umas 6 e carregados de malas. Etapa de rápida resolução aquela que dependeu de nós. Depois de termos o táxi carregado e quase todos estarem sentados, o motorista diz-nos que vai fazer a primeira viagem assim carregado, mas as próximas não podia ser, salientando também que não iria ligar o taxímetro visto que aquela zona não cobria as zonas dele, e que cada viagem iria ficar pela módica quantia de 50 euros. Visto termos achado demasiado caro, mas só um bocadinho, continuamos nossa marcha até ao quartel dos bombeiros. Lá chegamos finalmente. Depois de andarmos a ser corridos de uma porta e pessoa para outra, lá uma colega que viajava connosco, estudante de direito e com um pouco de mau feito quando acha que a estão a gozar, diz com um tom um pouco mais agressivo, se algum dos presentes na sala onde nos encontrávamos na altura era capaz de chamar o responsável do quartel. Mais 40 minutos se tinham passado até ela ter esta atitude. O comandante do quartel de inicio mostrou-se bastante acessível no dialogo e disposto a cooperar connosco, já que pedíamos apenas para nos transportarem até ao cimo e pagaríamos todas as despesas envolvidas no referido transporte, e tínhamos sido encaminhados para ali pela junta de freguesia. Aí algo correu mal e ele disse-nos que não podia fazer nada e teríamos de descobrir uma outra forma de chegar ao topo. Desejou-nos boa sorte virou as costas e puff… mais uma vez estávamos por nossa conta no complicado, vá para fora cá dentro. Quando estávamos a virar costas para procurarmos a solução de uma outra forma, um dos bombeiros veio ter connosco e disse-nos para ligar para um numero de telemóvel, que era de um senhor que possuía um jipe e nos levaria lá em três viagens, onde só depositaríamos a gasolina. Ligamos 20 minutos depois estava lá o senhor que amavelmente nos levou lá ao referido e desejado cimo. Pagamos 7 euros por viagem. Menos 43 euros do que a proposta feita pelo taxista.
Até aqui são apenas duas injustiças num mundo mesmo muito injusto. Mas será que os membros do governo e das entidades responsáveis não percebem que nem todos somos como as personagens dos morangos com açúcar! Nem todos temos a folia financeira para pagar 50 euros por uma viagem que demorou dez minutos ou por pagar tudo e mais alguma coisa pelo dobro do preço, quando não mais. Agora pergunto, com tantos fiscais que existem para tudo e mais alguma coisa, e parecem nunca fiscalizar nada. Já que as fugas aos impostos continuam em alta, os crimes financeiros continuam em alta e agora até já se conseguem perder papéis que comprovam os crimes de fraude fiscal. Não se deveriam direccionar esses referidos contra producentes funcionários públicos da república portuguesa para a criação de uma “policia” que fiscalizasse estes actos que apenas convencem cada vez mais os turistas portugueses a escolherem o estrangeiro para viajar. Não seria isto um esforço suportável e talvez, talvez, mais eficaz na divulgação e incentivo ao turismo dentro de Portugal?
sábado, 5 de maio de 2007
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